Privacidade em 2019??? Esqueça!

– Oi! É da Pizzaria do Jorge?
– Não senhor, aqui é da Google Pizzaria.
– Então é número errado.
– Não Sr.. o Google comprou a Pizzaria do Jorge.
– Bom.. Pode anotar meu pedido?
– Depende… O sr. vai querer o de sempre?
– O de sempre? Você me conhece?
– Nosso identificador de chamadas mostra que nas últimas 6 vezes, o pedido foi metade Calabresa, metade 4 queijos.
– Err… tá certo… É isso.
– Posso sugerir Portuguesa, ao invés de Calabresa, sr.?
– Não, eu odeio pimentão.
– Mas o seu colesterol não está bom.
– Quê?
– É o que diz o seu último exame de sangue.
– Tá… mas eu já tomo remédio para o colesterol.
– Não ultimamente… a última caixa que o sr. comprou foi há 3 meses pela internet.
– Ora.. semana passada eu comprei sim, mas pessoalmente.
– Não consta no seu cartão de crédito.
– Eu paguei em dinheiro.
– De acordo com seu extrato, você não fez retiradas em dinheiro.
– Eu tenho outra fonte de renda.
– Hum… bem… Isso não consta no seu IR… seria um fonte de renda não declarada?? Ihhh…
– Que diabos? Chega! Estou farto do Google, Facebook, WhatsApp, Twitter.. Vou para uma ilha sem internet, celular, GPS e nem ninguém me espionando.
– Entendo senhor.. mas então precisa renovar seu passaporte.. Expirou há 5 semanas.

Texto adaptado por Eduardo Bruno do original https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:6272267975328301056/

Monetização e ética

A nova política de privacidade e termos de uso do Instagram que entrará em vigor, permitindo o serviço a usar fotos sem pagar nem avisar o usuário, trouxe a tona um tópico que vem sempre em evidência no modelo de negócios de qualquer empresa: monetização.

Toda empresa precisa dar lucro, portanto meios de viabilizar receita são sempre buscados por seus gestores e colaboradores. Até este ponto normal, porém, visando a efetivação de um objetivo, algumas empresas deixam a ética de lado. Mudar a “regra do jogo”, dependendo do contexto, pode ser encarado como uma “rasteira” por seus usuários.

O caso do Instagram ilustra perfeitamente o que comentei. Os documentos que regem e relação usuário/serviço permitem que a start-up, comprada pelo Facebook em abril por US$ 1 bilhão, e o próprio Facebook, utilizem as fotos postadas sem pagar nada aos usuários. Seria ético você produzir fotos e estas mesmas ilustrarem peças publicitárias de terceiros sem que você saiba? E se levar em conta que boa parte da base de usuários do Instagram utiliza apenas o aparelho celular para interagir na rede social e, provavelmente, nem tomará conhecimento destas mudanças de privacidade? E se além de utilizar suas fotos sem seu conhecimento o serviço ainda lucrar com isso? Pois é, isto que irá acontecer.

Em termos de negócio, além de anti-ético, tal mudança pode provocar uma evasão considerável e migração de seus usuários para serviços concorrentes como o Flickr, fazendo com que uma estratégia para gerar dinheiro cause justamente o oposto.

Além de usuários pessoa física, várias empresas também estão abandonando o serviço. A National Geographic Society, organização que é proprietária da revista e do canal televisivo correspondentes, suspendeu as postagens da conta NatGeo.

Dia 18 de dezembro, um dia após a mudança, Kevin Systrom (cofundador do Instagram) informou que os direitos das imagens continuarão com os usuários.

“Desde que fizemos as mudanças, nós ouvimos alto e claro que muitos usuários estão confusos e chateados com o que isso significa. É fácil interpretar errado documentos jurídicos”, escreveu Systrom.

Ao pensar em estratégias de monetização, ética sempre deve ser um ponto importante a ser considerado. Um “desespero” por lucro pode acabar arruinando todo seu negócio.