Qual seu objetivo profissional?

Recentemente estive envolvido com um projeto para reorganizar uma empresa. Dentre as atividades necessárias, mapear qualidades e defeitos da equipe atual e planejar próximos passos como contratações, demissões, etc. Neste processo procurei opiniões de profissionais de minha confiança sobre direcionamentos de recursos humanos. Eis que uma dessas pessoas me contou um caso interessante, que por acaso vai de encontro de como gerencio minha vida profissional.

Liguei para um candidato sobre uma nova oportunidade. Era uma promoção de seu cargo atual, e ele tinha as habilidades e qualificações corretas.

Desculpe, mas não estou interessado, ele disse educadamente.

Pressionei-o até que ele disse algo que realmente me confundiu. Ele me disse “já cheguei ao topo”.

Eu estava familiarizado com sua empresa atual e olhei para o CV novamente.

Ele não estava perto do topo. Ele precisaria de binóculos para ver o topo. Ele ainda não era nem um gerente.

Ele me explicou que chegar ao topo, para ele, significava que ele adorava o trabalho que fazia todos os dias, gostava da empresa que trabalhava, era tratado sempre justamente e com respeito por seus companheiros de trabalho, ganhava o suficiente para se sentir confortável, tinha flexibilidade e, o mais importante para ele, nunca perdeu um único jogo de futebol, jogo escolar, reuniões de pais e mestres, aniversário ou qualquer evento familiar.

Ele sabia o que significava o próximo passo em sua carreira. Menos tempo livre, mais viagens e sacrifícios que não valiam a pena diante de seus objetivos.

A definição de chegar ao topo é individual. Não se deixe levar por um “guru do RH” ou a definição da sociedade.

Está faltando trabalho ou está faltando competência?

Estamos diante de uma crise, fato. A cada semana leio e tomo conhecimento por amigos de empresas demitindo funcionários, negócios encerrando atividades e empresas perdendo contratos. Entretanto paralelo a este fato, continuo a observar que além de uma baixa na oferta de vagas, o que falta não é trabalho, e sim competência.

Recentemente postei em uma rede social 6 oportunidades pontuais de prestação de serviços, em segmentos diferentes, para negócios que estou envolvido. Apenas uma delas exigia diploma, agora todas as outras eram passíveis de execução por qualquer pessoa. O texto era o seguinte:

“Momento classificados

Procuro:
– Contador recém formado;
– Artesão que trabalhe bem com resina;
– Empresa que faça balões de hélio em material diferente de borracha personalizados;
– Expert em Asterix e VoiP;
– Serralheiro bom e inteligente que trabalhe com ferro e alumínio;
– Marceneiro bom e inteligente;

Alguém pode ajudar? Ah, tem que ser do Rio.”

Sabe quantos negócios eu fechei com profissionais para fornecerem tais serviços? Nenhum. Sim, isso mesmo, nenhum. Com o advento da Internet, aprender nunca foi tão fácil. Tutoriais em texto, imagem, áudio e vídeo são encontrados com facilidade. Dentre alguns de meus amigos e conhecidos, certamente existiam pessoas que estavam desalocadas e possuíam inteligência suficiente para buscar informação e aprender como executar algumas destas demandas e sinalizarem que gostariam de enviar um orçamento.

Oportunidade não se perde – esta foi uma das primeiras lições que aprendi na prática depois de algum tempo como empreendedor. Muitas vezes estamos diante de oportunidades latentes mas não visualizamos. A cegueira cultural enraizada vem desde a infância, quando pais, parentes e amigos perguntam: o que você quer ser quando crescer? Todos esperam sempre uma resposta única, monolítica e esta vira um fardo para o indivíduo. Agora será mesmo que você só tem capacidade de exercer uma atividade? Pessoalmente aposto que não.